
A Toalha –Giovanni Pascoli
Tradução: Ítalo Eugenio Mauro
Diziam-lhe: “Cuida, menina,
de não deixar estendida,
da véspera até a matina,
a toalha branca esquecida;
mas guarde-a no seu lugar
quando a ceia terminar,
pra que não venham os mortos,
os tristes, pálidos mortos!”
“Entram, ansiosos, calados,
exáustos num bravo arranco,
e se reúnem, sentados
à volta daquele branco;
quedam-se até que amanheça,
com as duas mãos na cabeça,
sem que mais nada se sinta,
sob uma lâmpada extinta.”
Já cresceu a menininha:
governa com perfeição
a casa, o tanque e a cozinha;
faz tudo ao modo de então,
cuida de tudo, trabalha,
mas não recolhe a toalha
“Deixa que venham os mortosos bons, os pobres dos mortos”.
Ah! Noite escura, escura,
de frio, de chuva, de neve,
livrai-lhes, logo, abertura
para ansiedade tão leve
quê a mesa, e em companhia,
repousem até o outro dia,
buscando recordos vãos,
com a cabeça nas mãos.
Desde a tarde, até a manhã,
buscando coisas de então,
indagam a imagem vã
de uma migalha de pão:
no empenho de recordar
só lagrimas têm pra dar.
Oh! não recordam, os mortos,
os caros, caros seus mortos“Pão, sim... é pão que se chama,
que repartíamos, concordes:
recordais?... É tela, a dama:
de que tanto havia... recordes!
“E estas?... Estas são duas nossas,
quais vossas e tua lágrimas de árduo pesar,
caídas ao recordar “
Tradução: Ítalo Eugenio Mauro
Diziam-lhe: “Cuida, menina,
de não deixar estendida,
da véspera até a matina,
a toalha branca esquecida;
mas guarde-a no seu lugar
quando a ceia terminar,
pra que não venham os mortos,
os tristes, pálidos mortos!”
“Entram, ansiosos, calados,
exáustos num bravo arranco,
e se reúnem, sentados
à volta daquele branco;
quedam-se até que amanheça,
com as duas mãos na cabeça,
sem que mais nada se sinta,
sob uma lâmpada extinta.”
Já cresceu a menininha:
governa com perfeição
a casa, o tanque e a cozinha;
faz tudo ao modo de então,
cuida de tudo, trabalha,
mas não recolhe a toalha
“Deixa que venham os mortosos bons, os pobres dos mortos”.
Ah! Noite escura, escura,
de frio, de chuva, de neve,
livrai-lhes, logo, abertura
para ansiedade tão leve
quê a mesa, e em companhia,
repousem até o outro dia,
buscando recordos vãos,
com a cabeça nas mãos.
Desde a tarde, até a manhã,
buscando coisas de então,
indagam a imagem vã
de uma migalha de pão:
no empenho de recordar
só lagrimas têm pra dar.
Oh! não recordam, os mortos,
os caros, caros seus mortos“Pão, sim... é pão que se chama,
que repartíamos, concordes:
recordais?... É tela, a dama:
de que tanto havia... recordes!
“E estas?... Estas são duas nossas,
quais vossas e tua lágrimas de árduo pesar,
caídas ao recordar “

