domingo, 21 de novembro de 2010

Andara

Coisas vistas, coisas ditas
TEXTO AQUI


Vicente Franz Cecim

Sempre



adormeces na manhã nascente

teu Carrilhão de Sombras

Ramagens, para onde em dias de Penumbra se inclinam os Teus Olhos

Haveria uma Criança, não há mais

Aquela

que Te fez Aquela mesma

que te Desfará,

por que Nome a chamarás quando esqueceres a Palavra do Verão?

Lentidões. Das mãos, para onde acenar? Memória e Mundo e Pavilhão de Luz que guardas na Fenda da Carne, no teu Bosque

Não importa o que fazes com os Teus dias

Sempre

adormecerás teu Carrilhão de Sombras














sábado, 6 de novembro de 2010

Walser

Coisas vistas, coisas ditas
TEXTO AQUI


Escrito a lápiz / Microgramas III (1925-1932), de Robert Walser
por Guillermo Nuñez Jauregui
Hacia el final de Las calles tenían pinta de direcciones caligrafiadas Robert Walser (1878-1956) concluye: “Es puñeteramente difícil escribir estando loco.” Debe serlo. Especialmente si las dificultades se cifran en minucias. Atisbos de esquizofrenia auditiva, digamos. Obstáculos como no soportar el tedio de una pluma o descubrir que el prójimo es insufrible. Alejarse de las máquinas de escribir, del papel de calidad, de la vanidad. Sortear trampas que nadie más ve y que probablemente no estén ahí. Walser sugiere un remedio en Con poderosa delicadeza:
En la vida me he apoyado con harta frecuencia en mis dos manos, a las que siempre he tratado muy bien y que con el tiempo se han convertido en algo cultivado. Superé aquella indecisión sobre la máquina de escribir permaneciendo fiel a la escritura a mano, a la ley de los dedos.
Recurrir a lo pequeño, a lo que está a la mano, para superar peligros ocultos es, necesariamente, una campaña de largo alcance. Una empresa similar a la realizada por Bernhard Echte y Werner Morlang, quienes tuvieron a su cargo la edición de los textos que conforman Escrito a lápiz. Durante diecisiete años estos buenos hombres se ocuparon en descifrar un legajo compuesto por 527 papeles de formatos variopintos. Walser, pasados los años, escribía en dimensiones cada vez más pequeñas. Inició con una letra que oscilaba entre los tres y dos milímetros; para los microgramas redactados entre 1925 y 1932 (y que conforman este tercer volumen) la letra había sido reducida al milímetro. Calendarios, recibos de honorarios, cartas, tarjetas de presentación: aradas en su totalidad con una letra imposible de leer. Como explica Morlang en el epílogo del primer volumen de Escrito a lápiz (que contiene los microgramas escritos entre 1924 y 1925), se atacó los manuscritos letra a letra, utilizando cuentahílos de cinco o seis aumentos. Me parece arriesgado afirmar que Walser dio con un método para contener su locura. Digamos, mejor, que después de estar dando tumbos en la habitación el poeta finalmente se sintió en casa. Una casa, por lo demás, a la que fue difícil entrar ya que la había desocupado. De una carta a Max Rychner, fechada el 20 de junio de 1927, Morlang recupera una de las pocas explicaciones de Walser:
Para el autor de estas líneas hubo un momento en que, en efecto, se vio preso de una terrible, de una espantosa aversión hacia la pluma, un momento en que estaba tan harto que apenas soy capaz de describirlo, en que, por poco que empezara a utilizarla, se convertía en todo un estúpido y, para librarse de este tedio de la pluma, empezó a lapicear, a esbozar, a garabatear.
Por supuesto, no son garabatos lo que leemos. Si algo han conseguido Echte y Morlang es arrebatarnos el placer de encontrarnos con las aparentes huellas de la locura para entregarnos un placer distinto que, en ocasiones, es verdad, sugiere un monstruo, pero la mayor parte del tiempo es, en suma, más de lo mismo. Como Walser lo anunciaba en Otra vez esta pequeña prosa, sabemos qué esperar:
Otra vez esta pequeña prosa, estas digresiones y rodeos, estas carteritas de ir al colegio y taconcitos de muchachitas. ¿Saldrá agradable, cómoda, edificante, satisfactoria esta exposición femenina? La pregunta se responde por sí sola. En lugar de cobrar ánimo y escribir un libro de feria entero, sólo abordo continuamente deditos de uñas pintadas, es decir, sólo surgen incesantes y míseros poemillas.
Es curioso constatar la transformación del caos caligráfico a libro ordenado. ¿Cómo es que se ha perdido ese aire de manuscrito, de texto encontrado en una caja de zapatos? Aún más, ¿cómo es que esto, en Walser, no constituye una pérdida? Walser no fatiga como lo hacen las “bibliotecas ocultas”, póstumas, producto de la carroña. Sabíamos que interesaría a los lectores, se suelen justificar los desesperantes editores, por eso decidimos publicar sus cuadernos secretos. O su correspondencia. O su lista del mandado. Todos los cuerpos opacos brillan, dadas las circunstancias. Pero rara vez vale la pena el manuscrito incompleto rescatado de la computadora de un muerto, de un accidente automovilístico, de una bóveda en Suiza, de una habitación en llamas. Los editores, de un día a otro, corren el riesgo de convertirse en el saqueador que sigue el avance de una guerra para despojar a los muertos de sus pertenencias. Debe decirse, sin embargo, que en ocasiones aciertan. ~

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Cerimonia do Adeus

Coisas vistas, coisas ditas

Gorz e a cerimônia do adeus à mulher

Carta do filósofo austríaco para a esposa revela dificuldade para definir o amor, mas constitui uma prova vigorosa dele

É uma história de amor, mas também sobre a tragédia de não saber explicar filosofica­mente o amor, o que, no caso do filósofo e jornalista aus­tríaco André Gorz (1923-­2007), representou ao mes­mo tempo um desafio e um ajuste de contas com seu passado, antes de se decidir pelo suicídio duplo com sua mulher Dorine, em setem­bro do ano passado. Numa longa carta dirigida a ela e publicada um ano antes, Car­ta a D. (tradução de Celso Azzan Jr., Annablume/Co­sac Naify, 80 págs., R$ 29), Gorz conta como conheceu e se apaixonou por Dorine, reconhecendo que nem mes­mo em seus escritos mais contundentes conseguiu mostrar que o amor por sua mulher foi a razão de sua conversão existencial - em especial Le Traitre, alvo de uma autocrítica impiedosa.
DESTINO - Juntos até na morte , o de maior relevância foi sua denúncia de que o marxis­mo criara o culto da "luta reden­tora" do proletariado. Desani­mado com a instrumentalização de Marx, o filósofo transfor­mou-se num dos maiores líde­res da ecologia política, propon­do, então, uma revolução cultu­ral para acabar também com os excessos do capitalismo. Pa­ra começar, foi pioneiro na de­fesa de uma renda básica para os cidadãos independente do trabalho, influenciando tre­mendamente políticos como o senador Eduardo Suplicy.
Carta a D. não fala de políti­ca. Ou melhor, fala, mas pouco. Gorz toca no tema justamente ao justificar a decisão do casal de se mudar para o campoquan­do a mulher Dorine foi acometi­da de uma aracnoidite que a im­pedia até de se deitar. Instalado numa casado século 19 no vilare­jo de Vosnon, na região de Troyes, o filósofo revê seu pas­sado e tenta encontrar uma res­posta para a mais inquietante de todas as perguntas: por que amamos e queremos ser ama­dos por determinada pessoas e excluímos as demais? Nem seu amigo Sartre conseguiu dar uma resposta minimamente aceitável em O Ser e oNada. Não seria ele que viria a ser o autor dessa definição, ao recapitular sua relação amorosa com Dori­ne, que, na época de Carta a D., estava para completar 82 anos.
Eles viveram juntos 58 anos.
A perspectiva de perder o objeto de sua adoração carregou seu peito de um ''vazio devorador".
Gorz concluía, no silêncio do campo, que amor, política e lite­ratura ocupam um mesmo lu­gar. Formam uma espécie de aleph existencial, um ponto no centro do coração do homem. Sua história íntima com Dorine mostra que, nos momentos mais difíceis - o desemprego, a hostilidade política de seus de­tratores, o rompimento de anti­gas amizades -, foi a presença da mulher que deu forças à sua militância. Gorz diz com todas as letras que Dorine era o "ro­chedo" sobre o qual essa união estava construída. Condenada por uma doença incurável, não restava muito a ele além de se­guir seus passos em direção àmorte. E, também por isso, essa carta é uma resposta a Le Traitre, em que seu juramento de amor é apenas formal, literá­rio. Aqui, ele é para valer.. .,.

terça-feira, 23 de março de 2010

Pascoli

Coisas vistas, coisas ditas
A Toalha –Giovanni Pascoli
Tradução: Ítalo Eugenio Mauro

Diziam-lhe: “Cuida, menina,
de não deixar estendida,
da véspera até a matina,
a toalha branca esquecida;
mas guarde-a no seu lugar
quando a ceia terminar,
pra que não venham os mortos,
os tristes, pálidos mortos!”

“Entram, ansiosos, calados,
exáustos num bravo arranco,
e se reúnem, sentados
à volta daquele branco;
quedam-se até que amanheça,
com as duas mãos na cabeça,
sem que mais nada se sinta,
sob uma lâmpada extinta.”

Já cresceu a menininha:
governa com perfeição
a casa, o tanque e a cozinha;
faz tudo ao modo de então,
cuida de tudo, trabalha,
mas não recolhe a toalha
“Deixa que venham os mortosos bons, os pobres dos mortos”.

Ah! Noite escura, escura,
de frio, de chuva, de neve,
livrai-lhes, logo, abertura
para ansiedade tão leve
quê a mesa, e em companhia,
repousem até o outro dia,
buscando recordos vãos,
com a cabeça nas mãos.

Desde a tarde, até a manhã,
buscando coisas de então,
indagam a imagem vã
de uma migalha de pão:
no empenho de recordar
só lagrimas têm pra dar.
Oh! não recordam, os mortos,
os caros, caros seus mortos“Pão, sim... é pão que se chama,
que repartíamos, concordes:
recordais?... É tela, a dama:
de que tanto havia... recordes!
“E estas?... Estas são duas nossas,
quais vossas e tua lágrimas de árduo pesar,
caídas ao recordar “



sábado, 20 de março de 2010

THIS WILL MAKE YOUR DAY!!

Coisas vistas, coisas ditas
For those that remember these guys........



THIS WILL MAKE YOUR DAY!!




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domingo, 7 de março de 2010

Clarice

Coisas vistas, coisas ditas
Em carta às irmãs, em janeiro de 47, de Paris, Clarice expõe seu estado de espírito...

1947 Berna - Suiça "Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro...há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu...Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver



sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Coisas vistas, coisas ditas
Leia o livro...