quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Beckett

Coisas vistas, coisas ditas











Escrever conduziu-me ao silêncio.

Sempre tive a impressão de haver dentro de mim um ser assassinado.

Assassinado mesmo antes do meu nascimento. Era preciso que eu o reencontrasse. Procurar ressuscitá-lo.

Mas os valores morais não são acessíveis. E não podemos defini-los. Seria necessário definir um juízo de valor, o que é impossível. Por isso que nunca estive de acordo com esta noção de teatro do absurdo.

Escrevi Malloy no dia em que compreendi minha estupidez. Então me pus a escrever as coisas que sinto.

É possível que não existamsenão falsos caminhos. Porém, é preciso encontrar o falso caminho que te convém.

É preciso permanecer lá onde não há nem prenome, nem solução,nem reaçãoe tampouco tomadas de posição possíveis...É isto que faz o trabalho tão diabolicamente difícil.

Muitas vezes penso em Yeats. Escreveu seus melhores poemas depois dos sessenta anos.

Sempre desejei ter uma velhice tensa e ativa...O ser que não deixa de arder, embora o corpo fuja.

Até certo momento acreditei que podia confiar no conhecimento. Que deveria me equipar no plano intelectual. Mas isto tudo se desmoronou.


Engraving by Jan Peter Tripp

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