
Um Vale
Existe um vale que só eu conheço.
Onde não se chega facilmente,
Há rochedos em sua entrada,
Matas, riachos secretos, e águas velozes,
E os caminhos reduzidos a pálidos rastos.
Os mapas o ignoram:
Encontrei o caminho por mim só.
Levei anos para isso,
Vezes, como acontece, errando.
Mas não foi tempo perdido.
Não sei quem lá esteve antes,
Um, ou alguns, ou nenhum:
É questão sem importância.
Existem marcas em lages de pedra,
Algumas belas, todas misteriosas,
Algumas certamente não por mão humana.
No fundo areias e ramos;
No alto, abetos e pinheiros
Sempre mais ralos, atormentados pelo vento,
Que na primavera lhes rouba o pólen.
Quando as primeira marmotas acordam,
Mais alto ainda há sete lagos
De água não contaminada,
Límpida,escura, gélida, e profunda
Neste ponto nossas plantas
Terminam, mas quase na passagem
Existe uma e vigorosa arvore,
Florescente e sempre verde,
Para qual nome nenhum lhe foi dado:
Talvez seja aquela da qual fala o Genesis .
Dá flores e frutas em todas estações,
Mesmo quando a neve lhe pesa sobre os galhos.
Não existe outra da mesma espécie:
Fertliliza-se a si própria
Seu tronco mostra velhas feridas
Das quais escorre a resina
Amarga e doce, portadora do esquecimento.
Primo Levi - Trad: Giselda Leirner
Existe um vale que só eu conheço.
Onde não se chega facilmente,
Há rochedos em sua entrada,
Matas, riachos secretos, e águas velozes,
E os caminhos reduzidos a pálidos rastos.
Os mapas o ignoram:
Encontrei o caminho por mim só.
Levei anos para isso,
Vezes, como acontece, errando.
Mas não foi tempo perdido.
Não sei quem lá esteve antes,
Um, ou alguns, ou nenhum:
É questão sem importância.
Existem marcas em lages de pedra,
Algumas belas, todas misteriosas,
Algumas certamente não por mão humana.
No fundo areias e ramos;
No alto, abetos e pinheiros
Sempre mais ralos, atormentados pelo vento,
Que na primavera lhes rouba o pólen.
Quando as primeira marmotas acordam,
Mais alto ainda há sete lagos
De água não contaminada,
Límpida,escura, gélida, e profunda
Neste ponto nossas plantas
Terminam, mas quase na passagem
Existe uma e vigorosa arvore,
Florescente e sempre verde,
Para qual nome nenhum lhe foi dado:
Talvez seja aquela da qual fala o Genesis .
Dá flores e frutas em todas estações,
Mesmo quando a neve lhe pesa sobre os galhos.
Não existe outra da mesma espécie:
Fertliliza-se a si própria
Seu tronco mostra velhas feridas
Das quais escorre a resina
Amarga e doce, portadora do esquecimento.
Primo Levi - Trad: Giselda Leirner


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